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ReportagemNotícias · 11 de set. de 2026

Rockstar cita informante em Discord sindical

Documento judicial diz que uma fonte repassou informações por mais de dois anos e meio

Redação G6 World

A Rockstar afirmou em uma manifestação judicial que recebeu informações de três integrantes de um Discord usado por trabalhadores sindicalizados, incluindo uma fonte ativa por mais de dois anos e meio. O servidor reunia funcionários ligados ao desenvolvimento de GTA 6 e havia sido criado por organizadores do sindicato IWGB Game Workers. A revelação integra a disputa trabalhista iniciada depois que 34 funcionários, em sua maioria baseados no Reino Unido, foram demitidos em outubro de 2025.

O informante dentro do Discord

As duas partes apresentaram nesta semana suas manifestações iniciais a um tribunal trabalhista de Glasgow. Segundo o Rock Paper Shotgun, os documentos somam mais de 100 páginas de alegações e respostas, enquanto milhares de páginas de provas ainda devem ser discutidas nas próximas semanas. A Take-Two Interactive, controladora da Rockstar, enviou as peças ao veículo e ao Game Developer, entre outros destinatários.

A manifestação dos ex-funcionários afirma que trabalhadores associados ao IWGB criaram o Rockstar Game Workers Union Discord Server em 2022. Os advogados alegam que, antes disso, não havia um canal oficial no local de trabalho para discutir preocupações de forma independente da administração. Quando ocorreram as demissões de outubro de 2025, o servidor teria aproximadamente 340 membros.

Segundo os trabalhadores demitidos, o diretor de recursos humanos da Rockstar Charlie Kinloch recebia informações de um funcionário júnior sobre atividades sindicais no servidor desde pelo menos fevereiro de 2024. A manifestação alega que houve ao menos 26 reuniões ou comunicações sobre o Discord ao longo de 21 meses. Aproximadamente metade desses contatos teria sido iniciada pelo próprio Kinloch.

Os ex-funcionários dizem que essa fonte forneceu capturas de tela e gravações, relatou reuniões e treinamentos sindicais, informou números de filiados e identificou ativistas. Eles também alegam que, em 7 de outubro de 2025, a fonte informou que o sindicato estava a 12 integrantes do patamar legal de reconhecimento, correspondente a 10% da força de trabalho. O grupo teria alcançado o número necessário em 18 de outubro, e Kinloch teria sido informado dois dias depois.

A versão apresentada pela Rockstar coincide com parte desse relato, mas usa a expressão “denunciantes” para descrever as fontes. Os advogados da empresa mencionam três integrantes do Discord que teriam comunicado preocupações de segurança. Um deles, segundo a manifestação da Rockstar, fornecia informações à administração havia mais de dois anos e meio.

Como a Rockstar obteve acesso

A empresa afirma que, entre 13 e 16 de outubro de 2025, um integrante do servidor entregou dados de acesso à administração. Antes disso, a Rockstar diz ter permanecido em grande parte sem conhecimento do que acontecia no Discord, recebendo apenas informações ocasionais de sua principal fonte. A versão dos ex-funcionários acrescenta que o vice-presidente de segurança da informação, Abid Ansari, entrou no servidor e baixou o conteúdo dos canais Announcements e General.

As partes apresentam descrições opostas sobre a segurança do espaço. Os trabalhadores afirmam que o Discord era acessível apenas por convite, tinha restrições e usava o Slack interno da Rockstar para verificar participantes antes de liberar o acesso. Eles também sustentam que nenhuma informação confidencial do servidor é conhecida por ter chegado ao público.

A Rockstar argumenta que o conteúdo continuava vulnerável a diferentes formas de acesso indevido, incluindo vazamento deliberado, perda de aparelhos pessoais, phishing, engenharia social ou invasão do próprio Discord. A empresa usa a existência de seus informantes como parte do argumento de que informações poderiam sair do ambiente restrito. Essa divergência é central para decidir se o uso do servidor representava um risco de segurança capaz de justificar as demissões.

A manifestação da Rockstar divide o Discord em três áreas: uma reservada a comitês e grupos de trabalho do IWGB, outra destinada aos filiados e uma terceira com quase 350 pessoas. A empresa afirma que uma análise inicial identificou 26 participantes que não seriam funcionários e outros dez ex-empregados. Os trabalhadores respondem que antigos funcionários ficavam limitados a canais específicos e não estavam nos dois canais inicialmente acessados pela Rockstar.

A disputa por trás das demissões

A Rockstar demitiu os 34 funcionários sob a acusação de falta grave, afirmando que a atividade no Discord colocava informações confidenciais em risco. Os ex-funcionários e seus representantes levaram o caso à Justiça alegando que as demissões buscavam impedir o sindicato de alcançar membros suficientes para obter reconhecimento formal no Reino Unido. Esse reconhecimento permitiria ao grupo negociar questões como pagamento, jornada e férias.

As partes também discordam sobre a natureza das conversas realizadas no servidor. A Rockstar sustenta que havia riscos envolvendo informações internas e projetos, enquanto os trabalhadores dizem que as mensagens tratavam principalmente de políticas do local de trabalho necessárias à organização sindical. Eles afirmam ainda que não foram observadas publicações revelando data de lançamento de GTA VI, data de trailer ou informações confidenciais comparáveis sobre o lançamento.

Os ex-funcionários alegam que as demissões tiveram efeito imediato sobre a organização. Segundo a manifestação, a participação caiu de cerca de 390 para 261 pessoas em poucos dias, com 136 saídas e somente nove novas entradas. Onze funcionários da Rockstar também teriam cancelado sua filiação ao IWGB na semana seguinte.

O que muda para quem espera GTA 6

Os documentos não anunciam mudança na data, nas plataformas, no preço ou no acesso a GTA 6. Para quem acompanha o jogo, o impacto imediato está no entendimento de como a Rockstar administrou segurança e relações trabalhistas durante o desenvolvimento. As manifestações mostram que a disputa sobre confidencialidade e atividade sindical já acontecia internamente antes das demissões se tornarem públicas.

Nada nas peças resolve, por enquanto, qual das versões será aceita pelo tribunal. Ainda não se sabe se os contatos com os informantes serão considerados uma medida legítima de segurança, uma forma de monitoramento sindical ou uma combinação de fatores com outro peso jurídico. Também permanece em aberto se as demissões serão julgadas consequência de falta grave ou tentativa de enfraquecer o sindicato, questões que serão examinadas com as demais provas.

O processo deve continuar com a análise das milhares de páginas de evidências mencionadas nas manifestações iniciais. Até uma decisão, referências a informantes, acessos ao servidor e motivações para as demissões devem ser tratadas como posições apresentadas pelas partes, não como conclusões do tribunal. As informações sobre os documentos e seus argumentos foram publicadas pelo Rock Paper Shotgun.